Azulejos do Porto, Portugal.

O azulejo português é um revestimento arquitetônico decorativo único.

DSC00563

Possui inúmeros desenhos com temas orgânicos ou geométricos (mouriscos ou árabes). É incrível a variedade dos motivos de azulejos em relevo ou não.

DSC00559

Bicolores ou multicoloridos, eles são tão peculiares pelo seu formato e tradição que estão se tornando cada vez mais atraentes nas cidades portuguesas. São motivo de caminhadas turísticas e causam encantamento e admiração quando descobrimos que podem ser fabricados em série, combinando técnicas industriais e artesanais.

DSC00617

DSC00640 (2)

Na cidade do Porto eu descobri que boa parte das casas mais antigas e expressivas tiveram o uso deste tipo de revestimento a partir do século XIX. Foi uma ideia trazida por emigrantes portugueses que viveram no Brasil e quando voltaram a Portugal, construíram as suas casas com os azulejos nas fachadas. Usados no Brasil, naquela época, os azulejos tinham a função de proteger as casas da umidade, eram mais resistentes, além de possuírem características térmicas.

Ajulejando

…pela cidade descobrindo azulejos antigos…

A Estação São Bento no Porto é célebre pelos seus painéis de azulejos, de temática histórica. Cobrindo uma superfície com mais ou menos 551 metros quadrados, representam, principalmente, cenas passadas no Norte do país.

DSC00597

DSC00602

DSC00608

Existem técnicas para se pintar um azulejo de forma artesanal, uma delas, bastante comum para réplicas, se utiliza da transferência do desenho a ser replicado através de papel vegetal e carvão. O azulejo precisa ser previamente vidrado em cru e submetido a uma cozedura. As cores e desenhos são inúmeros, mas na experiência que tive usei só o azul, porém tentei observar a espessura dos contornos e o contraste de tons claros e escuros deste mesmo azul.

20151031_144752

Ficou mais ou menos, acho que poderia, com certeza, melhorar.

CYMERA_20151031_145603

Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 28/11/2015

O famoso café “A Brasileira”.

A Brasileira é um dos mais emblemáticos cafés da cidade do Porto e está situado em plena baixa da cidade, na Rua Sá da Bandeira.

DSC00329 (2)
Foi fundado em 1903 por Adriano Teles que após anos emigrado no Brasil, onde se dedicou ao negócio do café, regressou ao Porto e abriu o café “ A BRASILEIRA”.
Inicialmente tratava-se de uma pequena loja onde se servia café à chávena e se vendiam outros produtos, como os sacos do café. Mas, depois do que poderemos hoje chamar uma excelente manobra de marketing , criou o slogan “ O melhor café é o da Brasileira”, aliás ainda conhecido e visível na fachada.
Este slogan percorreu toda a cidade e também o País, através de tabuletas que eram colocadas nas estradas e nas vias férreas.

409165

Após o sucesso, a adesão à loja era de tal ordem que Adriano Teles teve de separar a loja do café propriamente dito e em 1938, após adquirir o prédio ao lado da loja inicial e proceder a umas obras de remodelação, abre A BRASILEIRA como a conhecemos. Adriano Teles expandiu o seu negócio pelo país abrindo ainda A BRASILEIRA em Lisboa e em Braga.

DSC00298 (2)  A_BRASILEIRA_AP_S_AS_OBRAS

 

 

 

 

 

 

Acima pode-se visualizar o detalhe da ornamentação interna (mosaico de pedras), que ficava na altura de um peitoril em uma das salas.

DSC00226

Informações obtidas junto ao historiador Manuel de Sousa. (Management, Communication, Marketing, Events, and Tourism).

Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 15/10/2015

Visão global e Visão específica de um lugar.

A visão global de um lugar analisa o conjunto, tanto a paisagem natural como a construída. A paisagem construída, num ambiente urbano, envolve tudo aquilo que veio da ação do homem como prédios e caminhos. Já a natural tem mesmo a ver com a natureza e dentro de uma cidade ela se salienta pela beleza natural que possui em sua originalidade. É vistosa e proporciona belas imagens. Neste contexto é ela que rasga o ambiente urbano e se salienta como algo exuberante. Como exemplo temos duas fotos que mostram o Rio Douro na cidade do Porto; em ambas o rio se destaca como elemento natural e os espaços em volta foram preenchidos por edifícios, casas, pontes e percursos em geral. Temos uma visão global de um cenário que marca em sua totalidade vista como conjunto.

10671447_561344697309516_3918585707665076006_n

12107041_10153662401599839_6744168981631716998_n

A visão específica fica por conta dos pormenores, das singularidades que cada canto possui. São pontos particulares que marcam um espaço menor no nosso campo de visão e chamam a atenção. Quando os percebemos de fato em seu pequeno mundo, podemos verificar a riqueza dos detalhes que aquele elemento possui e com um pouco mais de sensibilidade essa riqueza se estende e se transforma em identidade daquele lugar, conjuntamente com outros pequenos elementos que compõe um todo. Esses elementos são marcas urbanas e normalmente os encontramos em pontos de encontro, cruzamentos e espaços abertos em geral. Os pontos de encontro são os focos urbanos e juntamente com os indivíduos dão movimento a cidade. Como exemplo, novamente duas fotos que exibem elementos que animam o conjunto urbano. Na primeira, em evidência, o elétrico da cidade do Porto, com cores que remetem a sua própria história e que, por si, só tem notoriedade indiscutível. A segunda é mais contida, mas que, quando focada com atenção, se revela em profunda beleza em profusão de cor. Trata-se do piso que cerca a Casa da Música do Arquiteto Rem Koolhaas, um farto espaço limpo, pronto para ser usufruído e vivenciado pelos usuários. Temos uma visão específica de um ponto peculiar que se salienta em um conjunto que vai formar um todo. 

545722_380638218644048_3381278_n

12140633_1126130867415671_1762879531369899267_n

Texto meu, inspirado do livro “Turismo Urbano” de Antonio Carlos Castrogiovanni (PUC-RS), Editora Contexto: Porto Alegre, 2001.

Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 09/10/2015

2015-02-17 15.20.43

A semiótica do Turismo nas cidades!

Para um turista ou alguém que gosta de passear e conhecer ambientes novos é interessante apontar que as cidades podem ser entendidas como uma escritura, um livro já escrito e que continua a ser redigido.

Manhattan - New York

Manhattan – New York

É divertidíssimo, pois trata-se de um enigma a ser desvendado pela exploração, e isso acaba por se tornar como que um processo terapêutico, vivenciado a partir da experiência pessoal de cada um.

A percepção maior e primeira se dá pela Arquitetura e toda sua composição com o ambiente urbano (caminhos, limites, pontos nodais, alturas, texturas, transparências, reflexos, espaços fechados e abertos, cheios e vazados, etc). Como escrituras, as cidades podem ter vários graus de legibilidade que aumentam ou diminuem de acordo com a intensidade de seu frenesi (seu trafego, sua agitação, suas atrações, suas belezas e seus habitantes).

Veneza

Veneza

Londres

Londres

Milão

Milão

Paris

Paris

AsPadua cidades estão em constante movimento, são dinâmicas; há cores e odores, há hábitos e costumes, há história e memória.

Tudo que sentimos e percebemos vai a nossa mente como uma imagem construída. Essa imagem é o resultado daquilo que selecionamos nesta nossa interação com o meio, e fazemos isso de acordo com nossos próprios critérios de significação. Cada coisa que vemos tem um apelo simbólico, mesmo que não nos demos conta naquele momento, permanece no inconsciente e será revelado mais tarde, pois fica em nossa memória como sentimento.

E é por isso que dizemos que gostamos mais de um lugar em detrimento de outro, por causa da maneira como sentimos e percebemos o ambiente urbano e arquitetônico de cada cidade.

O fenômeno do Turismo Urbano põe controle neste processo enquanto ameniza o estranhamento causado por aquilo que é novo aos olhos e precisa ser entendido e absorvido tal qual um livro. Neste procedimento é que evoluímos adquirindo cultura e conhecimento.

Indico como leitura adicional sobre o tema o livro “Turismo Urbano” de Antonio Carlos Castrogiovanni (PUC-RS), Editora Contexto: Porto Alegre, 2001.

Porto, Portugal

Porto, Portugal

 Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 25/09/2015

Arquitetura Monumental da “Escola do Porto”.

Sobre o novo TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES:

 Rolo de fita branca de cetim...

Rolo de fita branca de cetim…

Um ícone incontornável na paisagem arquitetônica da marginal de Matosinhos e do Porto.

Localizado na fachada Atlântica, o novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões é perfeito para fazer a ligação com os circuitos do Mediterrâneo e Norte da Europa e, torna-se um destino ideal quando interligado a outros portos portugueses e da Península Ibérica.

Por dentro e por fora ele ressalta com sua estrutura curvilínea.

DSC09837  DSC09838  DSC09841

Para além das curvas sobre si, que me lembram um rolo de fita branca de cetim, o que mais me impressionou foram os azulejos vidrados, branquíssimos como a neve (não cai aqui – talvez o Arquiteto Luís Pedro Silva quisesse trazer a beira mar um pouco daquilo que se vê Portugal a dentro em seus terríveis invernos). Com o formato hexagonal eles foram meticulosamente assentados de maneira que suas arestas não se tocassem criando assim uma fantástica dança cromática entre si.

12025365_872907722803681_1277845947_n

Na verdade, o Arquiteto tem razão, as curvas desta obra de arte e a incidência solar fazem todo um trabalho de variação de cor no revestimento do edifício. Por conta da tal ‘dança cromática’ a que me referi acima é que percebe-se tal efeito. E cá pra nós é fantástica, pois anima brilhantemente uma certa pureza que ele carrega consigo.

12032424_874428962651557_1780975502_n

Eu preciso chegar perto, preciso tocar, preciso sentir o seu formato e as saliências entre eles. A arquitetura sentida com o tato é como que consumida pelo observador que já agora torna-se possuidor daquele patrimônio.

12025278_874464345981352_156320558_n (1)  DSC09856 12029132_874429015984885_1950309743_n

Richard Meier (O Arquiteto do branco)

Igreja do Jubileu – ROMA

Relembrando Arquitetos famosos me veio o nome de Richard Meier (O Arquiteto do branco). Estudei um pouco ele e tive o privilégio de conhecer uma de suas obras pessoalmente. Estive por lá no dia de Natal em 2013 com minha amiga Kelly Tagliati e foi mágico.

A Chiesa di Dio Padre Misericordioso ou Igreja do Jubileu como também é conhecida, fica em Roma, só que não é reportada nos guias turísticos por que fica afastada dos roteiros mais comuns. Se você for por conta própria inclusive, é um tanto cansativo chegar até ela. Partindo da Estação Termini você precisa tomar 2 meios de transporte. Primeiro pega-se um trem e após 18 paragens toma-se um ônibus que sobe para o bairro (Tor Tre Teste), na periferia de Roma, onde se encontra a Igreja.

Mapa 01O bairro é rodeado por edifícios de apartamentos, onde residem cerca de 3 mil pessoas. O templo está implantado no centro de um terreno de formato triangular.
Mapa 02
São como que três majestosas velas de betão branco, imponentes com 26 metros de altura. Se prestam a uma leitura simbólica, evocando tanto a imagem cristã da alma como um navio que aponta para algum farol, a segurança de Cristo.

Frente
Lado 01    Lado 02

Desde 2003 que o bairro de Tor Tre Teste foi enriquecida por esta peça de arquitetura contemporânea (Arquitetura Monumental), projetado para manter inalterada sua cor branca graças ao inovador material com que é construída. As paredes contém dióxido de titânio. Enrico Borgarello, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Italcementi, a companhia que desenvolveu o cimento, alega que o dióxido ajuda a eliminar os resíduos da poluição do ar. Segundo ele: “Quando o dióxido de titânio absorve os raios ultravioleta, ele se torna muito reativo, quebrando os poluentes que entram em contato com o concreto em partes menores. Ele é particularmente bom para remover os venenosos gases que saem dos escapamentos dos carros.”

Lado 03Meier foi escolhido como arquiteto depois de vencer uma competição que contou com a participação de famosos arquitetos como Frank Gehry, Santiago Calatrava e Tadao Ando em 1996.

 
 

Cidade compacta.

O compromisso com a cidade compacta!

05

Apontamentos e comentários a partir da aula do Professor Walter Rossa.

Atualmente, o discurso para tentar reverter o processo degradativo que se instalou sobre as cidades, no que diz respeito aos crimes da urbanização e a degradação do espaço urbano associado a uma recapitalização totalmente cruel, gerando desertificação e acirrando desigualdades sociais de enorme monta com consequências de ordem pública que afetam a saúde num contexto público e por ai vai se acrescentando inúmeros malefícios gerados por este capitalismo “selvagem”; esta ainda, num nível inicial de conscientização. Este assunto anda no patamar da informação, no sentido de apenas divulgar à população o que se passa em nossas cidades e os resultados que iremos colher caso não revertamos a situação.

Porém não é dito, nem tão pouco imposto ou cobrado, que é preciso mais do que apenas conscientização, é necessário compromisso com uma mudança. Esse compromisso se revela algo doloroso para o indivíduo que aprendeu de maneira historicamente instintiva a se resguardar e a se proteger em meio a tantas conquistas territoriais e culturais, batalhas sem fim. Aprendeu a tomar posse do seu espaço físico, daquilo que julga ser completamente seu. Algo que não se revela verdadeiro, pois tudo acaba por voltar a ser pó. Da terra vem e para a terra volta.

Um dos efeitos do pensamento capitalista é a individualização, ou seja, a ideia de que o individuo é tão ou mais importante que a sociedade na qual vive. Esta por sua vez, fez com que as pessoas criassem um conceito deturpado de propriedade, na qual o que é do individuo não pode ser tocado por mais ninguém.

Entretanto não é preciso ser tão “umbiguista”. Há de se pensar que o social e o público podem ser mais atrativos e companheiros do individuo do que se imagina. Os benefícios que podem ser adquiridos com a densificação das cidades em termos de ganhos espaciais são totalmente proveitosos.

06

As cidades tornaram-se a principal forma de degradação ambiental, ao multiplicarem sua população e consumir imensos espaços físicos. Hoje crescem tão rapidamente, que a Administração não consegue implementar a infraestrutura adequada de maneira suficiente, gerando os grandes subúrbios e favelas. A saúde esta comprometida. A moradia esta desqualificada. Apresentam problemas de congestionamentos tanto nos transportes públicos como pela generalização dos transportes individuais. Apresentam problemas de morbilidade e mortalidade.

Existe um modelo oposto a esta urbanização dispersa, modelo que se baseia-se na concentração, conectividade e multifuncionalidade, caracterizado por uma geometria focada nas conexões humanas dentro do núcleo urbano: cidades compactas com uma menor dimensão e densidade intermediária, geometricamente integrada. Esta alternativa enfrenta o obstáculo da atractividade individual do modelo extensivo. A compactação do espaço atua, entre outros, nos níveis da contenção, renovação e revitalização, e transformação da mobilidade urbana.

04

O compromisso com uma cidade compacta deve surgir no ceio de cada individuo. Querer compartilhar uma parte para um bem comum maior, numa quase visão holística. A compacticidade estaria num contexto nunca antes experimentado, porém sempre desejado e nunca compromissado. As mudanças para uma gestão urbana sustentável também passam por um caminho parecido. É preciso responsabilidades com o futuro e neste sentido canalizar forças, energias e recursos dentro de um movimento social compromissado com a sustentabilidade.

Simone Patrícia Becker
Arquitetura e Urbanismo
Coimbra, 2013.

07

A bela Paris.

Um bom exemplo de cidade compacta é Paris, pois tenta poupar o meio ambiente do processo de urbanização, promove formas mais ecologicamente corretas de transportes – já que as cidades mais densas estimulam a andar a pé, de bicicleta e a usar transportes coletivos, economizando assim o consumo de combustíveis não-renováveis (derivados do petróleo, produto em extinção) e as emissões de gás carbônico para a atmosfera.

http://greenstyle.com.br/2011/voce-sabe-a-diferenca-de-cidades-compactas-para-dispersas-novo-colunista-do-greenvana-style-explica/

01

Em frente a "L'église de la Madeleine".

Em frente a “L’église de la Madeleine”.

03