Azulejos do Porto, Portugal.

O azulejo português é um revestimento arquitetônico decorativo único.

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Possui inúmeros desenhos com temas orgânicos ou geométricos (mouriscos ou árabes). É incrível a variedade dos motivos de azulejos em relevo ou não.

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Bicolores ou multicoloridos, eles são tão peculiares pelo seu formato e tradição que estão se tornando cada vez mais atraentes nas cidades portuguesas. São motivo de caminhadas turísticas e causam encantamento e admiração quando descobrimos que podem ser fabricados em série, combinando técnicas industriais e artesanais.

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Na cidade do Porto eu descobri que boa parte das casas mais antigas e expressivas tiveram o uso deste tipo de revestimento a partir do século XIX. Foi uma ideia trazida por emigrantes portugueses que viveram no Brasil e quando voltaram a Portugal, construíram as suas casas com os azulejos nas fachadas. Usados no Brasil, naquela época, os azulejos tinham a função de proteger as casas da umidade, eram mais resistentes, além de possuírem características térmicas.

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…pela cidade descobrindo azulejos antigos…

A Estação São Bento no Porto é célebre pelos seus painéis de azulejos, de temática histórica. Cobrindo uma superfície com mais ou menos 551 metros quadrados, representam, principalmente, cenas passadas no Norte do país.

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Existem técnicas para se pintar um azulejo de forma artesanal, uma delas, bastante comum para réplicas, se utiliza da transferência do desenho a ser replicado através de papel vegetal e carvão. O azulejo precisa ser previamente vidrado em cru e submetido a uma cozedura. As cores e desenhos são inúmeros, mas na experiência que tive usei só o azul, porém tentei observar a espessura dos contornos e o contraste de tons claros e escuros deste mesmo azul.

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Ficou mais ou menos, acho que poderia, com certeza, melhorar.

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Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 28/11/2015

O famoso café “A Brasileira”.

A Brasileira é um dos mais emblemáticos cafés da cidade do Porto e está situado em plena baixa da cidade, na Rua Sá da Bandeira.

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Foi fundado em 1903 por Adriano Teles que após anos emigrado no Brasil, onde se dedicou ao negócio do café, regressou ao Porto e abriu o café “ A BRASILEIRA”.
Inicialmente tratava-se de uma pequena loja onde se servia café à chávena e se vendiam outros produtos, como os sacos do café. Mas, depois do que poderemos hoje chamar uma excelente manobra de marketing , criou o slogan “ O melhor café é o da Brasileira”, aliás ainda conhecido e visível na fachada.
Este slogan percorreu toda a cidade e também o País, através de tabuletas que eram colocadas nas estradas e nas vias férreas.

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Após o sucesso, a adesão à loja era de tal ordem que Adriano Teles teve de separar a loja do café propriamente dito e em 1938, após adquirir o prédio ao lado da loja inicial e proceder a umas obras de remodelação, abre A BRASILEIRA como a conhecemos. Adriano Teles expandiu o seu negócio pelo país abrindo ainda A BRASILEIRA em Lisboa e em Braga.

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Acima pode-se visualizar o detalhe da ornamentação interna (mosaico de pedras), que ficava na altura de um peitoril em uma das salas.

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Informações obtidas junto ao historiador Manuel de Sousa. (Management, Communication, Marketing, Events, and Tourism).

Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 15/10/2015

Visão global e Visão específica de um lugar.

A visão global de um lugar analisa o conjunto, tanto a paisagem natural como a construída. A paisagem construída, num ambiente urbano, envolve tudo aquilo que veio da ação do homem como prédios e caminhos. Já a natural tem mesmo a ver com a natureza e dentro de uma cidade ela se salienta pela beleza natural que possui em sua originalidade. É vistosa e proporciona belas imagens. Neste contexto é ela que rasga o ambiente urbano e se salienta como algo exuberante. Como exemplo temos duas fotos que mostram o Rio Douro na cidade do Porto; em ambas o rio se destaca como elemento natural e os espaços em volta foram preenchidos por edifícios, casas, pontes e percursos em geral. Temos uma visão global de um cenário que marca em sua totalidade vista como conjunto.

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A visão específica fica por conta dos pormenores, das singularidades que cada canto possui. São pontos particulares que marcam um espaço menor no nosso campo de visão e chamam a atenção. Quando os percebemos de fato em seu pequeno mundo, podemos verificar a riqueza dos detalhes que aquele elemento possui e com um pouco mais de sensibilidade essa riqueza se estende e se transforma em identidade daquele lugar, conjuntamente com outros pequenos elementos que compõe um todo. Esses elementos são marcas urbanas e normalmente os encontramos em pontos de encontro, cruzamentos e espaços abertos em geral. Os pontos de encontro são os focos urbanos e juntamente com os indivíduos dão movimento a cidade. Como exemplo, novamente duas fotos que exibem elementos que animam o conjunto urbano. Na primeira, em evidência, o elétrico da cidade do Porto, com cores que remetem a sua própria história e que, por si, só tem notoriedade indiscutível. A segunda é mais contida, mas que, quando focada com atenção, se revela em profunda beleza em profusão de cor. Trata-se do piso que cerca a Casa da Música do Arquiteto Rem Koolhaas, um farto espaço limpo, pronto para ser usufruído e vivenciado pelos usuários. Temos uma visão específica de um ponto peculiar que se salienta em um conjunto que vai formar um todo. 

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Texto meu, inspirado do livro “Turismo Urbano” de Antonio Carlos Castrogiovanni (PUC-RS), Editora Contexto: Porto Alegre, 2001.

Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 09/10/2015

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A semiótica do Turismo nas cidades!

Para um turista ou alguém que gosta de passear e conhecer ambientes novos é interessante apontar que as cidades podem ser entendidas como uma escritura, um livro já escrito e que continua a ser redigido.

Manhattan - New York

Manhattan – New York

É divertidíssimo, pois trata-se de um enigma a ser desvendado pela exploração, e isso acaba por se tornar como que um processo terapêutico, vivenciado a partir da experiência pessoal de cada um.

A percepção maior e primeira se dá pela Arquitetura e toda sua composição com o ambiente urbano (caminhos, limites, pontos nodais, alturas, texturas, transparências, reflexos, espaços fechados e abertos, cheios e vazados, etc). Como escrituras, as cidades podem ter vários graus de legibilidade que aumentam ou diminuem de acordo com a intensidade de seu frenesi (seu trafego, sua agitação, suas atrações, suas belezas e seus habitantes).

Veneza

Veneza

Londres

Londres

Milão

Milão

Paris

Paris

AsPadua cidades estão em constante movimento, são dinâmicas; há cores e odores, há hábitos e costumes, há história e memória.

Tudo que sentimos e percebemos vai a nossa mente como uma imagem construída. Essa imagem é o resultado daquilo que selecionamos nesta nossa interação com o meio, e fazemos isso de acordo com nossos próprios critérios de significação. Cada coisa que vemos tem um apelo simbólico, mesmo que não nos demos conta naquele momento, permanece no inconsciente e será revelado mais tarde, pois fica em nossa memória como sentimento.

E é por isso que dizemos que gostamos mais de um lugar em detrimento de outro, por causa da maneira como sentimos e percebemos o ambiente urbano e arquitetônico de cada cidade.

O fenômeno do Turismo Urbano põe controle neste processo enquanto ameniza o estranhamento causado por aquilo que é novo aos olhos e precisa ser entendido e absorvido tal qual um livro. Neste procedimento é que evoluímos adquirindo cultura e conhecimento.

Indico como leitura adicional sobre o tema o livro “Turismo Urbano” de Antonio Carlos Castrogiovanni (PUC-RS), Editora Contexto: Porto Alegre, 2001.

Porto, Portugal

Porto, Portugal

 Simone Patrícia Becker
Archtravel – Turismo Arquitetônico e Urbano – 25/09/2015

Arquitetura Monumental da “Escola do Porto”.

Sobre o novo TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES:

 Rolo de fita branca de cetim...

Rolo de fita branca de cetim…

Um ícone incontornável na paisagem arquitetônica da marginal de Matosinhos e do Porto.

Localizado na fachada Atlântica, o novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões é perfeito para fazer a ligação com os circuitos do Mediterrâneo e Norte da Europa e, torna-se um destino ideal quando interligado a outros portos portugueses e da Península Ibérica.

Por dentro e por fora ele ressalta com sua estrutura curvilínea.

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Para além das curvas sobre si, que me lembram um rolo de fita branca de cetim, o que mais me impressionou foram os azulejos vidrados, branquíssimos como a neve (não cai aqui – talvez o Arquiteto Luís Pedro Silva quisesse trazer a beira mar um pouco daquilo que se vê Portugal a dentro em seus terríveis invernos). Com o formato hexagonal eles foram meticulosamente assentados de maneira que suas arestas não se tocassem criando assim uma fantástica dança cromática entre si.

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Na verdade, o Arquiteto tem razão, as curvas desta obra de arte e a incidência solar fazem todo um trabalho de variação de cor no revestimento do edifício. Por conta da tal ‘dança cromática’ a que me referi acima é que percebe-se tal efeito. E cá pra nós é fantástica, pois anima brilhantemente uma certa pureza que ele carrega consigo.

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Eu preciso chegar perto, preciso tocar, preciso sentir o seu formato e as saliências entre eles. A arquitetura sentida com o tato é como que consumida pelo observador que já agora torna-se possuidor daquele patrimônio.

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Richard Meier (O Arquiteto do branco)

Igreja do Jubileu – ROMA

Relembrando Arquitetos famosos me veio o nome de Richard Meier (O Arquiteto do branco). Estudei um pouco ele e tive o privilégio de conhecer uma de suas obras pessoalmente. Estive por lá no dia de Natal em 2013 com minha amiga Kelly Tagliati e foi mágico.

A Chiesa di Dio Padre Misericordioso ou Igreja do Jubileu como também é conhecida, fica em Roma, só que não é reportada nos guias turísticos por que fica afastada dos roteiros mais comuns. Se você for por conta própria inclusive, é um tanto cansativo chegar até ela. Partindo da Estação Termini você precisa tomar 2 meios de transporte. Primeiro pega-se um trem e após 18 paragens toma-se um ônibus que sobe para o bairro (Tor Tre Teste), na periferia de Roma, onde se encontra a Igreja.

Mapa 01O bairro é rodeado por edifícios de apartamentos, onde residem cerca de 3 mil pessoas. O templo está implantado no centro de um terreno de formato triangular.
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São como que três majestosas velas de betão branco, imponentes com 26 metros de altura. Se prestam a uma leitura simbólica, evocando tanto a imagem cristã da alma como um navio que aponta para algum farol, a segurança de Cristo.

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Desde 2003 que o bairro de Tor Tre Teste foi enriquecida por esta peça de arquitetura contemporânea (Arquitetura Monumental), projetado para manter inalterada sua cor branca graças ao inovador material com que é construída. As paredes contém dióxido de titânio. Enrico Borgarello, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Italcementi, a companhia que desenvolveu o cimento, alega que o dióxido ajuda a eliminar os resíduos da poluição do ar. Segundo ele: “Quando o dióxido de titânio absorve os raios ultravioleta, ele se torna muito reativo, quebrando os poluentes que entram em contato com o concreto em partes menores. Ele é particularmente bom para remover os venenosos gases que saem dos escapamentos dos carros.”

Lado 03Meier foi escolhido como arquiteto depois de vencer uma competição que contou com a participação de famosos arquitetos como Frank Gehry, Santiago Calatrava e Tadao Ando em 1996.

 
 

Cidade compacta.

O compromisso com a cidade compacta!

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Apontamentos e comentários a partir da aula do Professor Walter Rossa.

Atualmente, o discurso para tentar reverter o processo degradativo que se instalou sobre as cidades, no que diz respeito aos crimes da urbanização e a degradação do espaço urbano associado a uma recapitalização totalmente cruel, gerando desertificação e acirrando desigualdades sociais de enorme monta com consequências de ordem pública que afetam a saúde num contexto público e por ai vai se acrescentando inúmeros malefícios gerados por este capitalismo “selvagem”; esta ainda, num nível inicial de conscientização. Este assunto anda no patamar da informação, no sentido de apenas divulgar à população o que se passa em nossas cidades e os resultados que iremos colher caso não revertamos a situação.

Porém não é dito, nem tão pouco imposto ou cobrado, que é preciso mais do que apenas conscientização, é necessário compromisso com uma mudança. Esse compromisso se revela algo doloroso para o indivíduo que aprendeu de maneira historicamente instintiva a se resguardar e a se proteger em meio a tantas conquistas territoriais e culturais, batalhas sem fim. Aprendeu a tomar posse do seu espaço físico, daquilo que julga ser completamente seu. Algo que não se revela verdadeiro, pois tudo acaba por voltar a ser pó. Da terra vem e para a terra volta.

Um dos efeitos do pensamento capitalista é a individualização, ou seja, a ideia de que o individuo é tão ou mais importante que a sociedade na qual vive. Esta por sua vez, fez com que as pessoas criassem um conceito deturpado de propriedade, na qual o que é do individuo não pode ser tocado por mais ninguém.

Entretanto não é preciso ser tão “umbiguista”. Há de se pensar que o social e o público podem ser mais atrativos e companheiros do individuo do que se imagina. Os benefícios que podem ser adquiridos com a densificação das cidades em termos de ganhos espaciais são totalmente proveitosos.

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As cidades tornaram-se a principal forma de degradação ambiental, ao multiplicarem sua população e consumir imensos espaços físicos. Hoje crescem tão rapidamente, que a Administração não consegue implementar a infraestrutura adequada de maneira suficiente, gerando os grandes subúrbios e favelas. A saúde esta comprometida. A moradia esta desqualificada. Apresentam problemas de congestionamentos tanto nos transportes públicos como pela generalização dos transportes individuais. Apresentam problemas de morbilidade e mortalidade.

Existe um modelo oposto a esta urbanização dispersa, modelo que se baseia-se na concentração, conectividade e multifuncionalidade, caracterizado por uma geometria focada nas conexões humanas dentro do núcleo urbano: cidades compactas com uma menor dimensão e densidade intermediária, geometricamente integrada. Esta alternativa enfrenta o obstáculo da atractividade individual do modelo extensivo. A compactação do espaço atua, entre outros, nos níveis da contenção, renovação e revitalização, e transformação da mobilidade urbana.

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O compromisso com uma cidade compacta deve surgir no ceio de cada individuo. Querer compartilhar uma parte para um bem comum maior, numa quase visão holística. A compacticidade estaria num contexto nunca antes experimentado, porém sempre desejado e nunca compromissado. As mudanças para uma gestão urbana sustentável também passam por um caminho parecido. É preciso responsabilidades com o futuro e neste sentido canalizar forças, energias e recursos dentro de um movimento social compromissado com a sustentabilidade.

Simone Patrícia Becker
Arquitetura e Urbanismo
Coimbra, 2013.

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A bela Paris.

Um bom exemplo de cidade compacta é Paris, pois tenta poupar o meio ambiente do processo de urbanização, promove formas mais ecologicamente corretas de transportes – já que as cidades mais densas estimulam a andar a pé, de bicicleta e a usar transportes coletivos, economizando assim o consumo de combustíveis não-renováveis (derivados do petróleo, produto em extinção) e as emissões de gás carbônico para a atmosfera.

http://greenstyle.com.br/2011/voce-sabe-a-diferenca-de-cidades-compactas-para-dispersas-novo-colunista-do-greenvana-style-explica/

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Em frente a "L'église de la Madeleine".

Em frente a “L’église de la Madeleine”.

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A arquitetura monumental nas grandes cidades contemporâneas

A arquitetura desempenha um papel vital na atração de turistas. Os significados dos edifícios, monumentos, são recebidos e sentidos pelas pessoas ao seu redor de várias maneiras, mas em geral os monumentos emblemáticos, construídos para demonstrar o poder do homem frente às novas descobertas tecnológicas, os quais são objeto de consulta e cenário de inúmeros viajantes e aos quais também iremos nos deter neste pequeno apanhado, são identificados como expressão de força e poder. Quer-se provar e mostrar algo através deles.

Enquanto que na Arquitetura moderna se procurava um processo de reprodução das obras, para ser aplicada em larga escala, na contemporaneidade o desejo não é mais de seriação e massificação, mas de diferenciação e exclusividade. Produzir objetos únicos e marcantes que “pousam” nas cidades potencializando a renda e o capital simbólico. As cidades do mundo contemporâneo, dos negócios e da forte economia dirigida pelo capital financeiro, buscam mostrar ao resto mundo seu crescimento. Aqui foi introduzido um novo conceito: a de cidade-mercadoria (city marketing). (VAINER, 2000). Procura-se investir em regiões pontuais da cidade – implantando infraestrutura, segurança, sistemas de telecomunicação avançados, aeroportos, hotéis, restaurantes – tendo em vista um suporte para o turismo e a consequente competitividade entre os investidores para a Arquitetura Monumental. A globalização da economia levou a adoção de novas estratégias mercadológicas, submetendo a cidade a condições similares às das empresas. Assim, para a city marketing emergir foi preciso a associação entre agentes multilaterais (os empresários da gestão urbana) e governos locais. (SÁNCHEZ, 1997)

Houveram experiências bem sucedidas – “modelos de sucesso”– que serviram de inspiração para outras cidades trilharem o mesmo caminho. O exemplo mais famoso é o de Barcelona. Para os Jogos Olímpicos de 1992 foram aplicadas várias medidas com vista à renovação urbana e à “repaginação da cidade” para o estrangeiro. Um dos objetivos de Barcelona era tornar-se atrativa. Para isso, foram realizadas uma série de intervenções, tanto no campo material como no campo simbólico, a fim de fortificar a imagem da cidade. Daí decorreu um “efeito dominó”, e outras cidades adotaram as mesmas soluções para atraírem turistas. Investiram na revitalização de antigos centros históricos, na implantação de equipamentos culturais de grande porte e valorizaram os espaços de interesse. (SÁNCHEZ, 2001)

Outra cidade que ganhou muita visibilidade com um famoso Plano Estratégico, foi Bilbao. A arquitetura teve um papel importante em Bilbao por despertar a curiosidade das pessoas, tornou-se, ela própria, o elemento de visitação, o turismo arquitetônico. Os projetos agregaram um alto valor simbólico (ou status) ao local. Vários arquitetos contemporâneos assinaram intervenções estratégicas na cidade: Santiago Calatrava, autor do aeroporto de Bilbao (Sondica Airport) e da ponte de pedestres Zubizuri, que atravessa o rio Nérvion, localizada nas proximidades do famoso museu; e Norman Foster que projetou o metrô, em estrutura metálica. Mas o principal componente do planejamento estratégico de Bilbao foi o Guggenheim de Frank Gehry. O Museu Guggenheim o qual, gostem ou não de sua arquitetura, surpreende a todos – inclusive ao próprio arquiteto, que afirmou ter ficado constrangido ao ver, pela primeira vez, seu edifício construído, perguntando-se então: “Como me deixaram fazer isso?” Pedro Arantes (2008).

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Museo Guggenheim em Bilbao - 1997

Museo Guggenheim em Bilbao – 1997

Era preciso que a construção do museu tivesse, desde o berço, uma notoriedade na mídia, fosse importante, assim também se tornou importante associar o projeto do Guggenheim a um nome famoso no cenário da arquitetura internacional; e o mais famoso era, de fato, Frank Gehry, o “arquiteto ícone da pós-modernidade financeira” (ARANTES, 2008, p. 183). O Guggenheim impacta, pois se trata de um complexo sistema construtivo de alta tecnologia, revestido por uma superfície de titânio, aliada a uma série de outros volumes mais comportados. Gehry tenta unir duas arquiteturas em uma só: os volumes prismáticos, que primam pela funcionalidade, e a obra de arte da “flor metálica”, a qual objetiva, primordialmente, a provocação ou o espetáculo. Para Pedro Arantes (2008), a arquitetura de marca, como ele denomina, está relacionada com o capital financeiro e propostas arquitetônicas de soluções únicas O autor diz:

“Os arquitetos da era financeira, ao contrário dos modernos, não procuram soluções universalistas, para serem reproduzidas em grandes escalas. O objetivo é a produção da exclusividade, da obra única, […]. A arquitetura de marca tem, assim, um limite comercial que a obriga a adotar soluções inusitadas e sempre mais chamativas: se diversas cidades almejarem uma obra de Frank Gehry, por exemplo, perderão progressivamente a capacidade de capturar riquezas por meio de projetos desse tipo.” (ARANTES, 2008, p. 179)

Na última década do século XX, com a disponibilidade de recursos existente no mundo desenvolvido, a utilização de novas tecnologias e dos sofisticados sistemas gráficos computadorizados, a necessidade da imagem corporativa das grandes empresas multinacionais, o acelerado processo de industrialização dos países asiáticos, a renovação urbana nos países europeus, estabeleceram a forte visibilidade da arquitetura “do autor” e surge a presença globalizada de um pequeno grupo de arquitetos, chamado star system. Um grupo de oito a dez arquitetos que vão deixando suas marcas, cada qual com uma linguagem, visando o espetáculo.

Outro projeto icônico que surgiu um pouco mais tarde, mas neste mesmo contexto foi à Casa da Música de Rem Koolhaas, no Porto. Tratado como um monólito de geometria irregular ele foi concebido com intenção semelhante, a de ajudar na projeção internacional da cidade de Porto. No projeto original não havia uma decisão pelo material que se utilizaria para a superfície do prisma. A princípio poderiam ser placas metálicas ou algo leve suportado por uma estrutura metálica, mas Koolhaas resolveu fazer uma concessão à tecnologia local mais desenvolvida, o concreto armado. A maneira como o arquiteto trabalhou o concreto parecia querer contrariar a lei do material e até da própria gravidade, mas a procura de uma forma inusitada e de efeito provocativo acabou por se sobressair, pois o resultado final gerou um fato arquitetônico de destaque na concorrência midiática.

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Casa da Música – 2005

Casa da Música – 2005

Porém este tipo de obra monolítica em concreto expressa uma materialidade física que vai na contramão da era da arquitetura de marca. A tendência dominante na arquitetura do star system é em direção à leveza e transparências. (ARANTES, 2010, p. 72) Esta é uma característica da arquitetura contemporânea de marca: a valorização das superfícies, “embalagens” ou “peles”: “a prevalência das superfícies em relação às estruturas é o que permite a mágica de sua desmaterialização e transformação em imagem midiática.” (ARANTES, 2008, p. 193). Essas superfícies podem ser constituídas de materiais diversos como vidros, chapas metálicas (variadas), placas poliméricas, etc.

Pensando nas atuais cidades contemporâneas, que buscam fortalecer sua imagem com o modelo de planejamento estratégico, a arquitetura espetacular/de marca, funciona como instrumento midiático. Percebemos também, nitidamente, que o arquiteto do star system engrandece sua própria imagem através desta Arquitetura Monumental. Isto acaba sendo uma consequência do que acontece no atual contexto capitalista, onde este tipo de Arquitetura tem espaço.

Tendo em vista o estado das coisas, podemos refletir sobre quais serão as cenas dos próximos capítulos. Torna-se insustentável seguir com o obsoleto programa de construir cidades somente a engrandecer o poder do capital, instigando o espetáculo e a condução das massas a consumir. Não que elas não sejam bem-vindas, mas um pouco de equilíbrio sempre vai bem. Urge projetar para a real necessidade das pessoas e com uma agenda política mais próxima da sustentabilidade tentando pôr em pratica alguns paradigmas que assegurem uma arquitetura mais humana e local, apartando, mesmo que por um momento, a ilusão de querer que cada edifício seja um ícone representativo do mais tecnológico e esteticamente apurado. Apostar enfim, em uma Arquitetura que caminhe com a democracia, logrando construir um espaço urbano mais próximo ao cotidiano e ao bem-estar universal das pessoas.

Simone Patrícia Becker
Arquitetura e Urbanismo

“Traços de Siza: Um fragmento da arquitetura contemporânea.” Coimbra, Portugal, maio 2013.

“Traços de Siza: Um fragmento da arquitectura contemporânea.” Universidade de Coimbra – Faculdade de Arquitectura, 2013.

O filme explica o modo como o arquiteto Álvaro Siza desenvolve seus projetos partindo do desenho a mão livre. Por Joseane Ruivo, Simone P. Becker, Daniela Azevedo, Lais Maciel e Luiza Marques, durante a unidade curricular de “Temas e Problemas da Arquitetura Contemporânea” ao cargo da Prof. Dr. Ana Paula Lopes dos Santos (FAC).

Progetto: “Rigenerazione Urbana Caserma Mazzoni”. Bologna, Itália, julho 2014.

Rigenerazione Urbana Caserma Mazzoni

Enquanto estudante da UNIBO (Università di Bologna/Itália), eu e minhas colegas Kelly Tagliati, Juliana Sampaio e Jéssica Rossone, elaboramos um Projeto de regeneração urbanística de uma área situada em Bologna. Compartilho aqui um pouquinho do que foi desenvolvido. Como costumo dizer, foi um prazer inenarrável ter trabalho com elas.

La rigenerazione urbana dell’area chiamata Caserma Mazzoni, Zona Savena a Bologna è una proposta progettuale sintetica elaborata durante il periodo di Laboratorio del Corso di Urbanistica nel 2014. Si tratta di un progetto urbanistico coerente con gli obiettivi e le condizioni di sostenibilità ambientale, che propone l’inserzione di insediamenti con diverse funzioni, fra le quali la sede delle Scuole Tambroni. L’intenzione principale è stata di rispettare e ingrandire le potenzialità e ridurre le criticità dell’area trovate durante le analisi, di modo a intensificare l’approccio con il culturale e a fare diventare un’area di riferimento per tutta la comunità che vive nella Zona Savena.

La Caserma Mazzoni è un’area militare localizzata fuori delle mura di Bologna, nel Quartiere Savena, a sud-est. Le due vie più prossime sono Via Parisio e Via delle Armi. Per raggiungere alla Caserma i principali modi sono la Strada Provinciale 65, via Toscana, la cui il traffico è forte, e la Stazione Ferroviaria di San Lazzaro di Savena.

InquadramentoLa zona è dotata di servizi pubblici (scuole, luoghi di culto, parcheggi, uffici pubblici, commercio e verde pubblico). Infatti, le principali funzioni sono residenziale e commerciale, e esiste anche una concentrazione produttiva. L’intorno immediato dell’area presenta edifici residenziali in torre e in linea fra 2 e 8 piani, con densità edificata media. Un’altra caratteristica e forse la più importante è la presenza dei Mulini e del Canale di Savena, i cui rappresentano grande potenziale storico, ambientale e paesaggistico e grande valore di memoria per tutta la comunità. Secondo il Sistema dei Servizi del Piano per la Qualità Urbana di Bologna, le criticità più rilevanti sono determinate da “evoluzione della popolazione scolastica che interessa tutti gli ordini di scuola; incremento della popolazione anziana, in particolare oltre 80 anni, particolarmente marcato in alcune aree urbane come Zona Savena; qualificazione del verde pubblico; continuità dei percorsi pedonali e ciclabili che colleghino spazi verdi, strutture scolastiche e luoghi di incontro; carenza di parcheggi; necessità di rafforzare il sistema delle biblioteche con spazi dedicati alla lettura ed allo studio; e necessità di nuove strutture sportive.”

Mapa 01Infatti, nell’analisi compiute nelle prime fasi di lavoro, nelle visite tecniche e le conversazioni con i residenti della zona, questi aspetti sono sempre presenti, e pertanto abbiamo individualizzato tutto quanto come critiche, aggiungendo caratteristiche più particolari dell’intorno immediato. Gli edifici con altezze uguale o oltre i 7 piani costituiscono anche un fattore critico alla presenza di sole e direzionano i venti in modo diverso in alcune fasi dell’anno in parti specifiche dell terreno (Marzo-Giugno,Luglio-Agosto,Settembre-Ottobre, Aprile-Maggio). Un altro fattore critico è il rumore stradale in alcuni punti, e il rumore dall’area di funzione produttiva. Oppure le barriere fisiche, che isolano l’area di intervento dell’area militare e della Via delle Armi e anche le cancelle, sono fattori che abbiamo considerato come critici nello svolgimento del progetto.

AmbientaliAltezzeCosì siamo arrivate alle decisioni di progetto, applicando strategie e tecniche urbanistiche orientate alla caratteri fisici, ambientali e funzionali del sito. La continuità, frequenza e amplificazione della maglia dei tracciati ciclo‐pedonali è stata una delle prime scelte, così come la continuità del tessuto urbano e del reticolo viario e la creazione di una nuova via.

10253125_671447426262486_375764628_nQuesta via è stata pensata per attendere ai nuovi insediamenti e le diverse funzioni, per percorre quasi tutta l’area facendo il collegamento fra le aree prima separate per barriere fisiche. Le modalità di insediamento sono edifici di uso misto (residenziale e di commercio) in linea fra due e cinque piani, oppure edifici residenziali fra due e quattro piani, aree per attività libere e di ricreazione e aree di verde sportivo e la sede delle Scuole Tambroni. La superficie lorda massima è di 23.000 mq, 70% (15865,38 mq) destinati a uso residenziale e 30% (7134,62 mq) a usi terziari diffusi, divisi in 2517,56 mq per le Scuole (con volume di 11040,57 m³); 580,90 mq per l’Associazione Culturale più anfiteatro; 1146.81 mq di area costruita per lo sport; 1379,05 mq per comercio.

Spiegazione

Negli edifici è stato rispettato il carattere ambientale sempre cercando di fare ambienti ben illuminati e ventilati, applicando la distanza di cinque metri tra edifici e area giorno al nord-est e area notte a sud-ovest, nel caso dei residenziali. Le decisioni sono basate nel studio del sole e dei venti e nella presenza o non di ostruzioni. Sono previsti parcheggi privati sotto tutti gli edifici che hanno rapporto diretto con la strada pubblica, e anche parcheggi pubblici vicini ai principali punti, come la scuola, dove sempre ci sono delle persone invitate, che parcheggiano per un solo giorno, oppure appena fermano per poco tempo. Ancora negli edifici misti, davanti ai commerci sono previsti aree porticate con differenti attrezzature per lo svago, come le panchine.

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È stata prevista una nuova sede per l’Associazione Culturale, dotata di stanze multi-uso, atelie, biblioteca, un ristorante sulla terrazza e un’area di spettacolo, con un palco e un piccolo anfiteatro aperto.

01.1Vicino alla nuova sede, una grande area verde pubblica direzionata allo sport, dotata di attrezzature di ginnastica, una palestra polisportiva e area per i bambini. Dall’altra parte è prevista un’area più libera, con differenti specie arborei e una grande fontana.

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Alla fine, possiamo dire che questo è un significativo intervento nei servizi e opportunità per i cittadini e le imprese, perché coniuga servizi in campo educativo e scolastico, servizi in campo sociale, culturale e sportivo e per i giovani e gli anziani, servizi in campo economico, in campo abitativo, servizi in campo ambientale e della mobilità, che sono alcune delle premesse presenti nel”Atlante delle trasformazioni territoriali” del Comune di Bologna. L’intervento è stato pensato sempre rispettando il Piano Strutturale Comunale.Tavola 7.1

Questo sito, in particolare la sua disposizione è stata organizzata in modo tale da soddisfare il comportamento delle persone, le loro preferenze quando si spostano. Si è pensato che il paesaggio può essere piacevole al lungo dei percosi, com buona disposizione degli elementi di disegno, evitando possibili conflitti e portando la qualità della vita agli utenti.